Número de investigações por corrupção eleitoral alcança maior patamar da década
Henrique Gabriel Alves Benjsmin
junho 1, 2026
Dados da Polícia Federal mostram um crescimento expressivo das investigações por corrupção eleitoral no Brasil na última década. O número de inquéritos relacionados à compra de votos passou de 117 nas eleições municipais de 2016 para 2.283 em 2024, representando um aumento de quase 20 vezes. Ao todo, mais de 7.600 investigações foram abertas nos últimos dez anos, com média de duas novas apurações por dia.
Apesar da modernização do sistema eleitoral brasileiro, com o uso de urnas eletrônicas e biometria, a compra de votos continua sendo uma prática recorrente. Historicamente, eleitores já receberam dinheiro, bens e favores em troca de apoio político, e os casos atuais mostram que essa prática ainda ocorre de diversas formas. Entre as vantagens oferecidas estão pagamentos em dinheiro, consultas médicas e odontológicas, exames, materiais de construção, botijões de gás, cestas básicas, combustível, bebidas, promessas de emprego, cargos públicos e vagas em creches.
A maior parte das investigações está concentrada em cidades do interior e regiões metropolitanas, enquanto uma parcela menor ocorre nas capitais. Especialistas apontam que a proximidade entre candidatos e eleitores em municípios menores facilita a negociação de vantagens e torna mais difícil a fiscalização.
Entre os casos recentes investigados no Paraná, um ex-vereador de Goioerê teve o mandato cassado após a descoberta de um esquema que envolvia a distribuição de benefícios em troca de votos e a ocultação de dinheiro em livros adaptados. Em Moreira Sales, uma vereadora eleita foi condenada por utilizar a estrutura de assistência social do município para favorecer sua campanha, oferecendo pagamentos a famílias em situação de vulnerabilidade. As condenações resultaram em cassação dos mandatos e inelegibilidade.
A legislação brasileira considera crime tanto a compra quanto a venda de votos. As punições incluem multa, pena de até quatro anos de prisão, perda do mandato e inelegibilidade por oito anos. Especialistas alertam que a venda do voto enfraquece a democracia e compromete a qualidade das políticas públicas, afetando diretamente áreas essenciais como saúde, educação e infraestrutura.
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