Escala 6×1 pode acabar? Nova jornada de 40 horas entra em discussão no país

Henrique Alves Benjamin

maio 13, 2026

O debate sobre o fim da escala 6×1 ganhou força em Brasília e já movimenta trabalhadores, empresários e parlamentares em todo o país. O Ministério do Trabalho confirmou que a proposta em discussão prevê a redução da jornada semanal para 40 horas, adoção da escala 5×2 e manutenção integral dos salários. A medida faz parte da PEC 221/2019, que tramita em regime de urgência no Congresso Nacional e pode avançar ainda neste mês.

A proposta altera diretamente as regras atuais previstas na Constituição, que hoje permitem jornadas de até 44 horas semanais com apenas um dia obrigatório de descanso. Caso seja aprovada, a nova regra garantirá dois dias consecutivos de folga aos trabalhadores, encerrando oficialmente a tradicional escala 6×1 em diversos setores da economia brasileira.

O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, tem defendido publicamente a mudança e afirma que o Brasil precisa acompanhar modelos já adotados em países como México e Chile, que reduziram suas jornadas nos últimos anos. Segundo ele, a proposta busca melhorar a qualidade de vida da população, oferecendo mais tempo para descanso, convivência familiar, educação e cuidados com a saúde.

Entre os pontos já considerados consenso dentro da comissão especial estão a implantação da escala 5×2, o limite de 40 horas semanais e a proibição de qualquer redução salarial durante a transição. O governo também argumenta que a mudança poderá reduzir afastamentos médicos, faltas e aumentar a produtividade das empresas.

Apesar do avanço das negociações, ainda existem impasses importantes. O principal deles é o prazo de adaptação das empresas. Enquanto integrantes do governo defendem uma implementação rápida, setores da oposição querem uma transição gradual que pode chegar a 10 anos. Outro ponto de disputa envolve possíveis incentivos fiscais para empresas que precisarem contratar mais funcionários para compensar as novas folgas.

Setores que trabalham com jornadas diferenciadas, como saúde, segurança e serviços essenciais, também acompanham a discussão de perto. A ideia em análise é criar regras complementares específicas para essas categorias, permitindo acordos coletivos e preservando modelos já utilizados atualmente, como a escala 12×36.

Caso a PEC avance na Câmara dos Deputados, o texto seguirá para votação no Senado. Até lá, o tema promete continuar dominando o debate político e econômico no Brasil, principalmente entre trabalhadores que atuam em comércio, bares, restaurantes e setores que tradicionalmente utilizam a escala 6×1.

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