Janela partidária sacode a Câmara: 120 deputados trocam de sigla e redesenham cenário para 2026
José Roberto Benjamin
abril 4, 2026
A janela partidária encerrada na última sexta-feira (3) provocou uma reconfiguração relevante na Câmara dos Deputados, com cerca de 120 dos 513 parlamentares trocando de partido, aproximadamente 22% das cadeiras. O movimento, impulsionado pela disputa eleitoral de 2026.
A sigla que mais atraiu deputados foi o Podemos, enquanto o PL conseguiu recompor sua bancada. Já a base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) permaneceu estável.
Os números ainda podem sofrer pequenas variações, já que parte das mudanças pode não ter sido informada ao sistema da Câmara.
Reconfiguração das bancadas
O Podemos liderou os ganhos, com a chegada de 10 parlamentares, alcançando 26 integrantes e superando o PSDB, que se reorganiza e soma 17 deputados.
A deputada Christiane Yared retorna à sigla de olho na Assembleia Legislativa do Paraná.
Podemos e PSDB adotam estratégias semelhantes: mesmo com menor presença regional, possuem estruturas consolidadas, o que atrai parlamentares interessados em maior controle partidário nos estados.
O PL, ligado ao senador Flávio Bolsonaro (RJ), também se destacou. Após eleger 99 deputados em 2022 e cair para 87, o partido reagiu na janela, atraiu nove nomes e chegou a 96 parlamentares.
O PSD, comandado por Gilberto Kassab e pelo ex-governador Ronaldo Caiado, manteve estabilidade, com 14 saídas e 14 entradas, permanecendo com 47 deputados.
Já o PDT encolheu, perdendo cinco parlamentares e ficando com 12 integrantes.
Base governista e movimentações pontuais
Entre os partidos da base de Lula, houve poucas mudanças. O PT não registrou alterações, enquanto PV e PCdoB ganharam um deputado cada. A federação soma 87 cadeiras.
O PSB informou a saída de cinco deputados, mas anunciou anunciou a filiação do senador Rodrigo Pacheco (MG), que deixou o PSD, em meio a articulações para disputar o governo de Minas Gerais.
Regras e próximos passos
A janela partidária, iniciada em 5 de março, permiteu a troca de partido sem perda de mandato em anos eleitorais, já que a legislação entende que o cargo pertence às legendas. Senadores podem mudar de sigla a qualquer momento.
Encerrado o prazo, os partidos avançam para as convenções que definirão os candidatos, no prazo entre 20 de julho e 5 de agosto. O primeiro turno das eleições de 2026 está marcado para 4 de outubro.
Ter bancadas maiores fortalece as siglas nas negociações políticas e amplia o potencial eleitoral, mas também aumenta o desafio de dividir os recursos do fundo eleitoral.
Trocas antes e além da janela
Antes mesmo do período oficial, 48 deputados já haviam mudado de partido. Entre eles, o ex-ministro Ricardo Salles, que deixou o PL e se filiou ao Novo para disputar o Senado, e Luciano Zucco, que migrou para o PL visando o governo do Rio Grande do Sul.
No Senado, apesar de não haver janela, também houve movimentações. O PSD perdeu Rodrigo Pacheco, que foi para o PSB, além de Eliziane Gama (PT) e Angelo Coronel (Republicanos). Em contrapartida, ganhou Carlos Viana, vindo do Podemos.
O PL também se reforçou com Sergio Moro e Efraim Filho, enquanto Dra. Eudócia Caldas deixou a sigla rumo ao PSDB.
As movimentações evidenciam uma reorganização mais ampla no Congresso, antecipando a disputa eleitoral e consolidando novas alianças políticas.
Deixe um comentário