Brasil enfrenta novas barreiras à exportação de carne bovina
Henrique Gabriel Alves Benjamin
agosto 10, 2026
Após registrar um semestre histórico nas exportações de carne bovina, o Brasil enfrenta novas dificuldades para manter o ritmo de vendas no exterior. Além das tarifas impostas pelos Estados Unidos, o país passou a lidar com restrições da China e da União Europeia, dois importantes mercados consumidores.
Entre janeiro e junho de 2026, as exportações brasileiras de carne bovina movimentaram quase US$ 10 bilhões, crescimento de aproximadamente 33% em relação ao mesmo período de 2025. A China respondeu por quase metade das compras brasileiras.
O cenário, porém, deve mudar no segundo semestre. A China estabeleceu uma cota de importação para a carne brasileira. Até o limite de aproximadamente 1,106 milhão de toneladas por ano, a tarifa é de 12%. Depois que a cota for ultrapassada, a sobretaxa sobe para 55%, levando a carga total para cerca de 67%.
Dados e relatos do setor indicam que a cota brasileira já estaria próxima do limite, o que pode reduzir os embarques nos próximos meses.
União Europeia também impõe restrições
Na Europa, o Brasil enfrenta outra barreira. A União Europeia decidiu suspender, a partir de 3 de setembro, a importação de carnes e outros produtos de origem animal brasileiros.
A decisão está relacionada a questionamentos sobre o controle do uso de antimicrobianos na produção. A medida pode atingir carnes bovina e de aves, entre outros produtos, e gerar perdas estimadas em até US$ 2,4 bilhões por ano para o setor.
O governo brasileiro tenta reverter a decisão e avalia medidas diplomáticas e comerciais, inclusive uma possível atuação junto à Organização Mundial do Comércio (OMC).
Setor busca novos mercados
Diante das restrições, frigoríficos já começam a ajustar a produção. Algumas empresas reduziram os abates e adotaram férias coletivas, enquanto produtores demonstram maior cautela nas negociações e optam, em alguns casos, por manter os animais no pasto.
Apesar das dificuldades, o Brasil ampliou suas exportações para 118 países no primeiro semestre. Os Estados Unidos aparecem como uma das principais alternativas.
As compras americanas de carne brasileira cresceram cerca de 15% no período. A redução da oferta interna nos Estados Unidos também pode favorecer uma maior demanda pela proteína brasileira.
Com as barreiras nos principais mercados, o desafio para o Brasil será ampliar a diversificação das exportações e encontrar novos destinos para manter o crescimento do setor.
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