Trump autoriza ofensiva cibernética contra organizações criminosas; PCC e CV podem ser alvos

Henrique Gabriel Alves Benjamin

agosto 15, 2026

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira (12) um memorando que autoriza empresas privadas americanas, sob supervisão do governo, a participar de operações cibernéticas contra organizações criminosas transnacionais que atuam fora do território dos EUA. A medida pode atingir grupos como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).

Empresas poderão atuar contra estruturas digitais criminosas

O memorando prevê que empresas previamente selecionadas pelo governo americano possam realizar operações de vigilância e ações destinadas a interromper, degradar ou até destruir sistemas e redes utilizados por organizações criminosas.

Segundo a Casa Branca, a iniciativa tem como objetivo ampliar o combate a crimes como fraudes, ataques de ransomware e outras ofensivas cibernéticas que afetem cidadãos, empresas e interesses dos Estados Unidos.

O documento afirma que essas organizações mantêm campanhas cibernéticas contínuas para cometer fraudes e ameaçar a segurança americana. Por isso, o governo Trump defende o uso de diferentes instrumentos do poder nacional, incluindo recursos e capacidades do setor privado.

PCC e Comando Vermelho podem ser atingidos

Entre os grupos que podem, em tese, ser alcançados pela nova política estão o PCC e o CV. As duas facções brasileiras são classificadas pelo governo dos Estados Unidos como organizações criminosas transnacionais e, desde junho de 2026, também como organizações terroristas estrangeiras.

A classificação foi formalizada pelo Departamento de Estado americano e permite a adoção de sanções e outras medidas mais rigorosas contra as organizações.

Medida aumenta pressão sobre facções brasileiras

A decisão de Trump reforça a estratégia dos Estados Unidos de ampliar o enfrentamento ao crime organizado transnacional. A postura contrasta com a do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que criticou anteriormente a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas.

Entre apoiadores da direita e da base bolsonarista, a medida é vista como um avanço no combate às facções e como um sinal de que Washington pretende utilizar ferramentas ofensivas contra grupos criminosos que atuam internacionalmente.

As regras específicas do programa ainda serão definidas nos próximos 60 dias. A expectativa é de que a iniciativa aumente a pressão sobre as estruturas digitais e financeiras utilizadas por organizações criminosas que operam além das fronteiras brasileiras.

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