Marçal mexe no tabuleiro da direita e abre caminho para Flávio Bolsonaro

Henrique Gabriel Alves Benjamin

agosto 25, 2026

A entrada de Pablo Marçal na disputa presidencial modificou a dinâmica entre os candidatos e passou a concentrar parte dos ataques que antes poderiam se voltar diretamente contra Flávio Bolsonaro. Enquanto Marçal se torna um dos principais alvos dos adversários, Flávio ganha espaço para avançar na corrida eleitoral com menor exposição.

A análise de Leonardo Ruy aponta que Marçal aumentou a pressão sobre Lula e Renan Santos, assumindo uma espécie de papel de “para-raios” na disputa. Os números da pesquisa BTG/Nexus reforçam o impacto de sua candidatura: com Marçal no cenário, Lula aparece com 40%, Flávio com 34% e Marçal com 4%. Sem o empresário, Lula chega a 41% e Flávio a 37%. A presença de Marçal, portanto, reduz a votação dos dois principais nomes, com impacto maior sobre Flávio, mas também redistribui os ataques dentro do campo da direita.

O cenário pode se tornar ainda mais relevante no segundo turno. Flávio aparece tecnicamente empatado com Lula, com 45% contra 46%, enquanto começa a apresentar ao setor empresarial propostas voltadas à responsabilidade fiscal, redução de despesas públicas e menor intervenção estatal.

A aproximação com o empresariado, especialmente com setores da Faria Lima, está relacionada a essa mudança de discurso e não representa uma adesão formal do mercado ao senador. Nesse contexto, Marçal pode representar um obstáculo para Flávio no primeiro turno, ao disputar parte do mesmo eleitorado. Por outro lado, caso mantenha os ataques concentrados em Lula e em outros adversários da direita, poderá contribuir indiretamente para que Flávio avance à segunda etapa da eleição com menos desgaste.

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