Lula teria perdido espaço no diálogo com evangélicos, aponta análise de Juliano Spyer
Henrique Gabriel Alves Benjamin
setembro 20, 2026
O antropólogo e historiador Juliano Spyer avaliou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e seu partido perderam espaço no diálogo com lideranças evangélicas influentes. A análise foi publicada pela Folha de S.Paulo nesta segunda-feira (21/9).
Segundo Spyer, a relação entre parte significativa do eleitorado evangélico e a esquerda se deteriorou ao longo dos últimos anos. O antropólogo afirma ter ouvido um pastor identificado como Luís, que acompanha a movimentação política de importantes lideranças religiosas e teria abertura para votar no PT.
Na avaliação apresentada por Spyer, o distanciamento começou ainda durante os primeiros governos de Lula. O partido teria deixado de estabelecer relações próximas com grandes lideranças das igrejas e priorizado interlocutores considerados mais alinhados a pautas progressistas.
O texto também aponta que, nesse período, setores ligados ao bolsonarismo ampliaram sua influência entre igrejas e lideranças evangélicas. Segundo a análise, pastores e músicos que se posicionaram de forma crítica a Jair Bolsonaro teriam enfrentado resistência e perda de espaço dentro desse ambiente.
Spyer avalia ainda que medidas econômicas ou propostas específicas do governo Lula, como a regulamentação das apostas esportivas, dificilmente seriam suficientes para reverter o distanciamento existente.
A análise destaca, portanto, a importância do diálogo contínuo com lideranças religiosas e do papel que o eleitorado evangélico passou a desempenhar no cenário político brasileiro.
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