Encontro entre Brasil e China fortalece laços, mas futuro do agro gera preocupação
Henrique Gabriel Alves Benjamin
julho 24, 2026
Os ministros das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, e da China, Wang Yi, reuniram-se em Manila, nas Filipinas, durante o encontro da Asean, e reforçaram o compromisso entre os dois países com uma “comunidade de futuro compartilhado”, além do apoio mútuo à soberania e ao desenvolvimento.
Segundo o governo chinês, Wang Yi reiterou o apoio de Pequim à soberania brasileira e afirmou esperar que o Brasil continue respaldando os interesses fundamentais da China. O Itamaraty informou que o encontro também tratou do fortalecimento das relações comerciais e da ampliação da oferta de fertilizantes chineses ao mercado brasileiro.
Enquanto o discurso diplomático aponta para maior aproximação, o novo Plano Quinquenal da China (2026–2030) gera preocupação no agronegócio brasileiro. O documento estabelece como prioridade a ampliação da produção agrícola interna, a redução da dependência de importações e a diversificação de fornecedores, o que pode diminuir a demanda chinesa por produtos como a soja brasileira nos próximos anos.
Outro ponto de atenção é a carne bovina. O Brasil já teria utilizado cerca de 80% da cota anual de exportação para a China. Após o limite, novos embarques podem ficar sujeitos a tarifas elevadas, e a reunião em Manila não resultou em anúncios de ampliação das cotas ou flexibilização dessas taxas.
Especialistas avaliam que a combinação entre a política chinesa de autossuficiência, possíveis barreiras comerciais e a forte dependência do mercado chinês aumenta os desafios para o agronegócio brasileiro, reforçando a necessidade de ampliar mercados e reduzir a concentração das exportações.
Deixe um comentário