Em entrevista, Barroso comenta críticas ao STF e cenário político brasileiro

Henrique Gabriel Alves Benjsmin

maio 23, 2026

O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luis Roberto Barroso, afirmou que a Suprema Corte brasileira inevitavelmente acaba desagradando diferentes grupos da sociedade por conta da grande quantidade de temas julgados pela instituição. Em entrevista à BBC News Brasil, Barroso explicou que decisões do STF frequentemente colocam em lados opostos setores importantes do país, como agronegócio, comunidades indígenas, evangélicos, feministas, governo e contribuintes.

Segundo ele, o fato de o STF “decidir quase tudo” faz com que a Corte se torne constantemente alvo de disputas e críticas políticas. Barroso participou da 11ª edição do Brazil Forum UK, realizado em Oxford, no Reino Unido, evento organizado por estudantes brasileiros em universidades britânicas.

Antes da entrevista, o ex-ministro evitou comentar sobre as investigações envolvendo fraudes no Banco Master, caso que reacendeu discussões sobre possíveis conflitos de interesse entre integrantes do Judiciário e empresas privadas. Apesar disso, ele defendeu que a discussão sobre a criação de um código de conduta para ministros do STF é importante, embora reconheça que ainda não exista consenso dentro da Corte.

Barroso também foi questionado sobre o motivo de não ter levado a proposta adiante durante sua gestão na presidência do STF. Em resposta, afirmou que preferiu focar em pautas que teriam maior apoio entre os colegas ministros, evitando temas considerados mais polêmicos.

Na avaliação do jurista, a polarização política continuará presente no Brasil, mas o país já teria superado a fase mais intensa de extremismo e intolerância. Ele acredita ainda que o excesso de protagonismo individual no STF tende a diminuir com a volta de um cenário de maior normalidade institucional.

Luis Roberto Barroso foi indicado ao STF em 2013 pela então presidente Dilma Rousseff (PT). Conhecido por posições consideradas progressistas e liberais, presidiu o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) entre 2020 e 2022 e comandou o STF de 2023 até sua aposentadoria antecipada, em 2025.

Sua trajetória no Supremo ficou marcada por episódios polêmicos, como a frase “Perdeu, mané, não amola”, dita a um manifestante em Nova York após as eleições de 2022, além da declaração “Nós derrotamos o bolsonarismo”, feita durante um evento da UNE em 2023, posteriormente reconhecida por ele como inadequada.

Após deixar o STF, Barroso passou a dedicar parte de seus estudos e interesses à área da inteligência artificial. A vaga deixada por ele na Suprema Corte segue sem definição após a rejeição, pelo Senado Federal, do nome indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o advogado-geral da União Jorge Messias.

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