9 em cada 10 médicos jovens dizem não estar preparados para comunicar más notícias, aponta estudo

Henrique Gabriel Alves Benjamin

julho 18, 2026

Uma pesquisa publicada na Revista Bioética revelou que cerca de 90% dos médicos jovens no Brasil afirmam não se sentir preparados para comunicar más notícias aos pacientes. O estudo também mostra que apenas 40% dos participantes receberam treinamento específico sobre o tema durante a graduação em Medicina.

A pesquisa, realizada por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), ouviu 2.418 médicos candidatos a programas de residência médica. Os participantes tinham idade média de 27 anos e responderam a um questionário antes da prova de seleção.

Entre os entrevistados, 48,7% se formaram em universidades públicas e 51,3% em instituições privadas. Além disso, 37,5% já haviam concluído outro programa de residência, acumulando maior experiência profissional.

Apesar de 61,2% afirmarem ter tido aulas sobre comunicação de más notícias e 61,8% relatarem participação em treinamentos durante a graduação, a grande maioria (92%) considera que concluiu a formação sem preparo suficiente para lidar com esse tipo de situação.

O estudo também apontou que 83,9% dos médicos defendem uma abordagem multiprofissional nesse processo, com participação de psicólogos, enfermeiros e outros profissionais da saúde. Ainda assim, apenas 3,6% disseram nunca ter comunicado uma má notícia ao longo da carreira.

Segundo Daniel Alveno, docente da Unifesp e um dos autores da pesquisa, a forma como a informação é transmitida faz diferença no acolhimento do paciente.

“A má notícia nunca vai virar uma boa notícia, mas existem formas de acolher e ajudar esse paciente, de maneira compassiva, a enfrentar aquela condição”, afirmou.

Os pesquisadores destacam que os resultados evidenciam falhas na formação médica e reforçam a necessidade de incluir treinamentos estruturados sobre comunicação de más notícias nos currículos, abordando aspectos técnicos e emocionais.

Outro dado chamou a atenção: quase 99% dos participantes disseram que, caso fossem pacientes, gostariam de receber diretamente todas as informações sobre seu estado de saúde. No entanto, mais de 30% admitiram que poderiam omitir informações a pedido de familiares, prática conhecida como “conspiração do silêncio”.

Para os autores, comunicar más notícias é uma habilidade que pode e deve ser ensinada durante a formação dos profissionais de saúde, contribuindo para um atendimento mais humano e ético.

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