Moro vê uso político do Carnaval e ataca desfile pró-Lula na Sapucaí: “Faltou o carro da Odebrecht”

José Roberto Benjamin

fevereiro 15, 2026

O senador Sérgio Moro (União Brasil) elevou o tom contra o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Carnaval do Rio de Janeiro. Para o parlamentar, o espetáculo apresentado na Marquês de Sapucaí ultrapassou os limites culturais e se transformou em “propaganda eleitoral antecipada” financiada com recursos públicos.

Em publicação nas redes sociais, Moro ironizou o enredo e afirmou que “faltou o carro da Odebrecht e do Sítio de Atibaia no desfile do Lula”, em referência a escândalos que marcaram o passado político do petista. Segundo ele, tratou-se de “um deprimente espetáculo de abuso do poder”, com exaltação do presidente, omissão de casos de corrupção e ataques a adversários — “tudo financiado pelo governo”. O senador ainda comparou o episódio a regimes autoritários: “A Coreia do Norte não faria melhor”.

A escola, estreante no Grupo Especial, levou à avenida o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, exaltando a trajetória política e social do presidente. Lula não desfilou, mas acompanhou a apresentação de um camarote ao lado do prefeito do Rio, Eduardo Paes.

A reação da oposição foi imediata. O Partido Novo acionou o Tribunal de Contas da União para tentar barrar repasses à agremiação, sob o argumento de possível desvio de finalidade no uso de verbas públicas. O pedido, porém, foi negado. Iniciativas semelhantes apresentadas pela senadora Damares Alves e pelo deputado Kim Kataguiri também foram rejeitadas, assim como uma tentativa no Tribunal Superior Eleitoral de impedir o desfile.

A controvérsia reacende o debate sobre os limites entre manifestação cultural e promoção política em eventos financiados, direta ou indiretamente, pelo poder público. Para críticos do governo, o episódio expõe o risco de instrumentalização do Carnaval como palanque ideológico. Já defensores da homenagem argumentam que escolas de samba historicamente abordam temas políticos e sociais, exercendo liberdade artística.
O embate amplia a tensão entre governo e oposição e projeta o Carnaval, tradicional vitrine cultural do país, para o centro da disputa política nacional.

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